Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Helder
Da amizade teremos todos imagens diferentes, mas concordaremos certamente na sua centralidade. Isto é, como precisamos desesperadamente de outros. Uns dos outros.
Gosto desta imagem da amizade enquanto construção, enquanto projecto comum em que nos envolvemos. Desta forma silenciosa de nos edificarmos mutuamente, de partilharmos as dores e as paixões. Também eu amo devagar os amigos.
Biografia do autor: Edição n.º 36.



