Aprende o mais simples! P’ra aqueles
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!
Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!
Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.
Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c'os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia.
Bertold Brecht, in "Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas"
Tradução de Paulo Quintela
E o ano lectivo está à porta.
Ano lectivo de escola, universidade, e também de vida. O retomar da actividade depois do descanso é o retomar do aprender.

Eugen Berthold Friedrich Brecht (Augsburg, 10 de Fevereiro de 1898 — Berlim, 14 de Agosto de 1956) foi um influente dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Brecht estudou Medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Filho da burguesia, sofreu, como todos no seu país, a sensação de desolamento de encarar um país completamente destruído pela guerra. Depois da guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ihering, chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Já em Munique, as suas primeiras peças "Baal" (1918/1926) e “Tambores na Noite” (1918-1920) foram levadas ao palco. (...) As suas principais influências foram Constantin Stanislavski, Vsevolod Emilevitch Meyerhold e Erwin Piscator. Stanislavski já desenvolve a técnica de comentar o texto através do gesto, inspiração asiática evidente no teatro de Brecht. (...) Algumas de suas principais obras são: "Um Homem É um Homem", em que cresce a ideia do homem como um ser transformável, "Mãe Coragem e Seus Filhos", sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio no começo da Segunda Guerra Mundial, e "A Vida de Galileu", drama biográfico com o qual Brecht encontra definitivamente o caminho do teatro dialéctico. Além dessas, escreveu "Seu Puntila e seu Criado Matti", "A Irresistível Ascenção de Arturo Ui", "O Círculo de Giz Caucasiano" e "A Boa Alma de Setzuan".
Fonte: http://www.biografia.inf.br/bertold-brecht-dramaturgo.html(Com adaptação para português de Portugal)