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Ela já passara pela morte de pessoas queridas. Ela já sofrera a perda.
Ela também já vira outros perderem pessoas queridas. Vira outros sofrerem com a perda.
Mas a morte, para além da dor, comovia-a. Comovia-a no seu mais fundo.
Comovia-a, não o sofrimento daqueles que perdiam alguém, mas o testemunhar como a vida de alguém, era sempre uma história de amor com outros.
Uma história de amor com aqueles com quem convivera durante a vida.
Uma história de amor, feita geralmente, no pequeno e no escondido.
Uma história de amor que só quem a tinha vivido a achava grande, incomparável.
Comovia-se por tanto bem que deixava uma morte. Por tanto bem, que os outros haviam recebido em vida.
Depois o sofrimento eram as saudades de quem se despedia desta história de amor, que não chegava ao fim, mas se transformava.
Quanto mais simples a vida que acabava, mais frutos se viam de um amor que de uma só pessoa, fazia nascer uma descendência.
Um amor que nunca acabava pela história que deixava nos que ficavam. |
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Margarida Reduto
01.06.2011
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