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Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles. Mc 10, 14
A alegria é preciosa. No verdadeiro sentido da palavra. Para a encontrar é preciso apostar a vida toda nela. Não tem nada de óbvia, de vulgar ou de adquirida, por ela tem de se lutar uma luta muito séria.
Quando pensamos na alegria pensamos em duas coisas: que ela nos escapa e que, no entanto parecemos saber muito bem do que se trata. De onde vem esta espécie de certeza, quando reconhecemos que falamos de uma coisa que foge? Os dias bons ou as pequenas satisfações não nos fazem contemplar a verdadeira alegria porque são breves e casuais. Mais do que isso, são anuláveis, isto é, um dia mau pode anular, num certo sentido, um dia bom. E porque aquilo que buscamos não é nem momentâneo nem tão pouco extinguível, mas antes duradouro e inabalável ou estamos errados em pensar que existe tal coisa, ou então talvez a consigamos ver de um outro sítio. Esse sítio, qual miradouro num dia de muita luz, é a nossa recordação da infância. Porque daí vemos uma coisa enorme e pequena ao mesmo tempo: vemos o que é ser criança. Ora isso está muito próximo daquilo que é ser alegre principalmente porque nos ensina a sua curiosa proporcionalidade inversa que há entre os risos e os metros de altura.
Sejamos pequenos como as crianças e seremos alegres. É o que Cristo nos diz e mostra. Saibamos, em vez de exigir coisas à vida, olhá-la como fazem os miúdos. O controlo por que ansiamos não o conseguimos atingir. A vida não cabe nas nossas mãos, mas cabe numas mãos maiores, nas mãos de um Pai. Na Paixão, Jesus não luta por nada, não exige coisa alguma, mas recebe a morte. Recebe-a, gritando pelo Pai, perguntando pelo Pai, qual criança perdida. Não é por chorar que as crianças deixam de ser a alegria encarnada. Saber sofrer é sofrer como fazem os pequenos. Ser humilde é o mesmo que ser criança, é saber que se precisa do Pai para tudo.
Mas como se disse no princípio, viver em alegria não é coisa fácil. Vivemos num mundo de adultos, homens sérios que ainda não perceberam que a única verdadeira forma de seriedade é a humildade. Nós próprios queremos ser grandes, pessoas virtuosas sem perceber que a única virtude que valida todas as outras é humildade. Todos queremos ser alegres, dançar e cantar, mas não encontramos verdadeiro motivo para dançar ou tema que cantar porque não sabemos ser pequeninos. Olhemos para Jesus e aprendamos. Que a nossa vida seja um olhar para Cristo. Só assim se consegue ver a beleza dos dias e das noites. Deixemos que a verdadeira alegria nos invada o Cenáculo, nos deixe a paz, e nos faça sair cantando e dançando em todas as línguas. Sabemos que ela não é nossa, mas que vem ao nosso encontro. |
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Vasco Cordovil Cardoso
15.05.2011
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2011-06-23 19:38:14 micas, Anadia Esta alegria é fundamental. Se todos a procurássemos seria muito mais divertido viver (até as grandes chatices pareceriam menos chatas..) Muito obrigada . 2011-05-25 16:15:30 Correcção Rui Ferreira sj, Lisboa Caros amigos,
Fico contente por terem gostado do texto, mas não é da minha autoria, mas sim do Vasco Cordovil Cardoso, que está a ter uma estreia auspiciosa na colaboração com esta secção do site.
Obrigado Vasco! 2011-05-23 11:30:13 rosario, Lx Gosto muito por aqui passar...faz-nos bem consciencializar realidades que são VERDADEIRAMENTE importantes....
continuem...obrigada! 2011-05-19 18:27:20 Teresa Almeida, IObrigado Rui. bj teresa 2011-05-16 23:55:27 António Santos Lourenço, Lisboa Adorei o texto, Rui! Mesmo! Muito obrigado! É tão cheio e tão rico que nem sei por onde o pegar... Abraço! 2011-05-16 00:15:03 Miguel, Coimbra Obrigado Rui! um abraço Mais comentários |
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