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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Pediram-lhe que fizesse um texto onde explicasse o conceito do seu trabalho. Depois pediram-lhe um texto onde ela explicasse como ela se identificava com o conceito do seu trabalho. Ela trabalhava, só isso.

Sem conceitos, sem elaborações sobre o que fazia, procurando justificar cada acção com uma intenção. Ela vivia.

Depois teve mesmo de fazer os dois textos e agravou-se esta dificuldade em se auto-rotular.

O que se chamaria a si própria se pudesse escolher qualquer nome? Como identificar um conjunto de palavras que a definissem? Sim, estavam só a relacioná-la com o seu trabalho, não era necessária uma descrição pormenorizada de todo o seu eu.

Mas como fazer isto se ela apenas ela, ela apenas vivia.

Não que vivesse sem sentido ou sem um rumo pretendido, mas não saberia isolar uma só parte de si. E depois, para quê? Para quê esta definição permanente de conceitos. Porque o conceito é o que está por trás daquilo que faz. Não lhe pediam que dissesse o que fazia, mas sim por que o fazia.

Será que alguém consegue dar esta definição sobre si própria com verdade?

Ela não conseguia, mas escreveu o texto. Inventou as palavras que queriam que ela dissesse para os deixar satisfeitos. Um texto carregado de adjectivos e de palavras elaboradas que davam um tom sério e credível à mensagem.

Depois esqueceu tudo aquilo e continuou só a viver, sem se preocupar com o porquê daquilo que fazia, nem o porquê daquilo que era.

Margarida Reduto
15.02.2011







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