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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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Aprender com os escritores
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“O que é difícil de alcançar dá mais prazer do que o que é fácil”
Vergílio Ferreira, Escrever

Frequentemente, quando um escritor lança um novo livro, aparecem entrevistas suas nos jornais, revistas ou outros meios, como forma de divulgar a sua obra mais recente. Nessas entrevistas, que são de extensão e, necessariamente, de profundidade diversa, os escritores são muitas vezes questionados sobre o seu trabalho em concreto, sobre o acto de escrever enquanto ofício, ou seja: rotinas, métodos, inspirações, referências literárias, medos, gostos, entre tantos outros aspectos. Se lermos essas entrevistas e as compararmos com escritos de carácter autobiográfico, como diários, cartas, autobiografias, é muito curioso constatar que “esforço”, “trabalho”, “dedicação” são palavras recorrentes e de que os escritores se servem frequentemente para falar sobre o seu trabalho, um trabalho que nos é também apresentado, muitas vezes, pelos próprios como solitário, exigente, angustiante e asfixiante. Mas também, um prazer, uma necessidade. Ora, isto quer dizer que, e ao contrário do que por vezes se pensa, escrever não é um acto de mera inspiração. A inspiração pode existir e até ser uma peça fulcral para alguns escritores, mas não é condição indispensável. Indispensável, e todos os escritores de uma maneira ou de outra revelam-no, é a persistência e a paciência, são as horas de escrita e de reescrita, o voltar para trás inúmeras vezes, o reformular sem conta, e isto porque, obviamente, os escritores têm um objectivo, querem atingir uma meta. O treino, o esforço árduo têm, portanto, uma finalidade específica que, em última análise, coincide com a finalidade do próprio acto de escrever e que pode ser tão díspar quanto: compreender-se melhor a si e aos outros, responder a um impulso, projectar-se no mundo, interferir nele, deixando uma marca perene.

Claro que o que até agora se evidenciou sobre os escritores vale para todo e qualquer artista, todo e qualquer trabalho, toda e qualquer tarefa, dirão. Sim, é verdade. A literatura, ou melhor, a forma como é criada, é apenas mais um exemplo do que já tantas outras pessoas disseram, é apenas mais um testemunho de como a vida deve ser vivida: com esforço, com dedicação, com suor, com angústia, até, em alguns momentos, porque dessa conjugação de atitudes resultará, seguramente, algo mais significativo, mais marcante, não só para nós, que o vivemos, que tivemos de superar obstáculos, vencer medos, ultrapassar dúvidas, como também para os que nos rodeiam, pois podem seguir o caminho que traçámos e dar-lhe até novos rumos.

No nosso tempo, o esforço e a dedicação parecem pouco valorizados, ou pelo menos, facilmente substituídos por outros valores mais imediatos e aparentemente mais ao alcance. É por isso importante mostrar que, também na literatura, aqueles cujas obras permanecem clássicas, porque intemporais, trabalharam muito, leram muito, escreveram e reescreveram muito. E fizeram-no sempre com um objectivo em mente, sempre no sentido de fazerem melhor, sempre na tentativa de imitar os que consideravam ser modelos e assim deixaram marca e assim deixaram caminhos abertos.

Nós também podemos deixar caminhos abertos para o futuro, basta colocar em tudo aquilo que fazemos tanta dedicação quanta a que os grandes escritores depositam no seu trabalho.

Os livros ensinam-nos muitas coisas… também os escritores, quando falam sobre o que é escrever.

Isabel Castro
01.03.2010

24   TER O TEMPO NA MÃO
Teresa Souto Moura 01.02.2010

23   PARA AVALIAR O NOSSO GRAU DE FATALISMO
Zé Maria Brito 01.01.2010

22   POWER TO YOU
Clara Almeida Santos 01.12.2009

21   DEPOIS DISTO NADA SERÁ IGUAL
Miguel da Câmara Machado 01.11.2009

20   AMORES DE CARNE E OSSO
Zé Maria Brito 01.10.2009

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última actualização: 01.09.2010

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