“Jesus is just a spanish boy’s name.” Pronto, foi esta a frase que me serviu de apresentação aos Frightened Rabbit. Na altura, a um instintivo “Com quem é que pensas que te estás a meter, pá?”, misturou-se um certo engraçar com esta forma agressiva de pôr por palavras os “será?” que ao longo da vida nos vão passando pela cabeça. E daí fiquei curiosa de ouvir o que mais tinham eles para dizer, até porque o ritmo também me estava a soar bem. E ao ouvir a letra, senti-me dividida. É isto incredulidade, ou será fé? Em todo o caso soa meio fatalista… então porquê este estranho positivismo do refrão? Sim, a letra é meio ambígua, mas não é de ambiguidades que nascem dúvidas? E intrigando-me mais ainda, via o tom pesado da letra a servir de banda sonora a uma sala de escola com crianças a dançar. Talvez seja essa mesma a chave do positivismo da música. Não, “isto não é nada mórbido”. Que se indague morte ou Deus, são coisas que têm que ser feitas. E a vida não evita ou estagna nesse ponto de interrogação, e crianças podem perfeitamente dançar ao som disso.
Atenção, não se confunda isto com um daqueles casos de um revoltado que grita contra este mundo e o outro, aspirante a grande contestatário. Não, nada disso: os Frightened Rabbit despretensiosamente põem em música angústias – “não pode ser só isto” – no papel de quem as sente, não de quem opina.
E o engraçado, é que não é só esta música. Poderia ter escolhido qualquer outra do álbum. The Midnight Organ Fight é um álbum à Séria, dos Bons, no qual, com palavras de uma crueza que por vezes chega a ser incomodativa (aviso desde já que eles não fazem muitas cerimónias na linguagem), se ouvem desde episódios daqueles que podem afligir uma alma, a outros em que se pensa num dia de papo para o ar e sem muito que fazer. Para além de música boa, são letras honestas, de questões vistas pelos olhos de quem as tem. E não se pode levar a mal uma alarvidade ou outra vinda de alguém que sinceramente se questiona. Decida-se para bem ou para mal, há assuntos face aos quais não se pode é ser indiferente. Há uns que são demasiado importantes.