A abundância dos limites da vida, com Prof. Daniel Serrão
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Nunca vi ninguém a falar da morte com tanta vida.
O Prof. Daniel Serrão é o avô que qualquer jovem gostaria de ter: bem parecido, jovial, inteligente, médico dedicado, professor catedrático, especialista em Bioética, conferencista, admirado por tantos, apaixonado pela família e pela vida em geral. Perante as tensões da vida não hesita em repetir: "não há nenhuma dificuldade superior à minha vontade de a vencer". Considera-se um homem feliz, um "optimista incurável".
Ao longo de oitenta anos passou muito do seu tempo a lidar com a abundância dos limites da vida: estudou pelos livros, aprendeu com os mestres, contactou com milhares de doentes, sentiu na pele o que a vida traz e leva.
Sendo alguém dotado de uma inteligência admirável, pedi-lhe que desta vez deixasse o coração a falar. Como um neto fala com o seu avô, coloquei-lhe as questões mais importantes, as questões existenciais. Ouvi-o durante mais de uma hora mas não me importava de ficar ali o dia todo.
Como chegar à felicidade? De onde lhe vem esse optimismo? O que significou para si ser pai? E ser avô, que novidades lhe trouxe? A velhice pode não ser um naufrágio? As doenças, em geral, e as doenças graves em particular, podem conter um lado purificador? O Sr. Prof. sofreu a perda de um filho: como pode um pai ultrapassar um acontecimento destes? O que significa para si a morte? Como é que a morte pode ser fecunda? O que espera depois da morte?