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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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Pedro Sena-Lino
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O Pedro é escritor.
Da poesia à crítica de poesia, de contos a manuais de escrita criativa e agora o romance.
Traduz poesia e é traduzido, consta em várias antologias portuguesas e coordena edições literárias.

Nas várias formas e conteúdos a escrita é a vida dele, que nos dá a acompanhar: “Constelação dos Antípodas” em 2000, “as flores do sono” em 2002, “o ilimite verde - malcata sete geografias” em 2003, “biofagia” em 2003, “deste lado da morte ninguém responde” em 2005, “zona de perda - livro de albas” em 2006, “Criative-se – usar em caso de escrita”em 2006, “Museu de História Sobrenatural” em 2007, “333” em 2009.

De si e por gesto seu constrói pontes para os outros. É formador de escrita criativa, de ficção, de conto, de autobiografia. Fundou uma escola de escrita, de criatividade e cultura – a Companhia do Eu. Concebe e orienta cursos de escrita e acompanha os que decidem um primeiro voo.

É exímio em dedicação e humildade, sempre mestre-aprendiz. Licenciou-se em Estudos Portugueses, fez mestrado em Literatura dedicando-se a José Régio e é actual doutorando em Literatura Feminina Portuguesa.
O Pedro tem 32 anos, nasceu e vive em Lisboa.

Pela vida e pela dádiva, pelo seu percurso e horizonte, procurei o Pedro Sena-Lino e propus-lhe um cenário com perguntas lá dentro.

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Pedro,
imagino o 5º andar de uma casa pequenina com escadas em caracol a terminar numa clarabóia, daquelas de vidro antigo colorido.
Cada andar é uma pergunta.
Tu estás no telhado/terraço e eu acabei de entrar…

É sempre a mesma coisa, nunca dou com a porta da tua casa!
Como são as portas das casas em que viveste? Importas, para a nova casa, essas que habituaste a abrir e a fechar?
Andamos sempre dentro do nosso nascimento; é um mistério de que passamos a vida a recuperar, a desdobrar, a tentar caber dentro. Por isso, ao passar a primeira grande porta, do mistério para a vida, subimos, numa sede de passagem. Acredito que cada passagem é a força dos trajectos seguintes; aí se encontra o nosso rosto, e o que nos conduz - e o rosto final para onde caminhamos.

A tua caixa do correio está entreaberta, há cartas lá dentro!
Costumas ter muita correspondência? A quem procuram as cartas que tu recebes?
As cartas são a comunicação por dentro, as notícias da alma. Procuro escrever para provocar comunicação, um contacto para além dos gestos, uma linha interior que passe para além do corpo. Procuro sempre o outro que há no outro, aquele que eu não conheço no que eu conheço - e se possível, trazer o outro que há dentro daquele com quem comunico que é também um estranho para si mesmo. Isso está nas minhas relações humanas, mas também na minha vida como formador, e como criador.

Vou subir! As escadas têm um corrimão, tão fiel quanto o percurso…
Quem representa “o corrimão” na tua vida?
O mistério. Fui criado com uma série de talentos e qualidades, e também dos seus reversos: tudo isto tenho de criar dentro de mim mesmo, e apresentar no fim da vida. O mistério do início e do fim, e o maior, que é atravessar-se a si mesmo na direcção mais funda e proveitosa. Muitos seres me ajudaram nesse processo, foram para mim o mistério. Os papéis, as contas, as travessias que um é na vida do outro são do invisível mais palpável, mais perfeito.

Por cada andar que subo, e porque o faço apressadamente, sinto o fôlego perder-se.
Em que momentos te sentiste a perder o fôlego?
Quando me perdi de mim. Houve um momento na minha vida em que me prometi, com a criação inteira como testemunha: nunca mais vou ser infiel a mim mesmo. Isso é o que os antigos chamavam "a morte eterna", o perder a única coisa que certamente é dada a cada ser, a sua identidade. Se eu não sou eu, como posso cumprir a minha vida? Infelizmente, apesar da minha promessa, voltou a acontecer mais tarde. Mas só reforçou a vontade e o caminho.

A luz deste 5º andar tem o toque quente das cores da clarabóia misturadas pelo sol morno de um Outono quase a começar…
O que é que dá mais sentido à tua vida?
Cumprir-me: porque ao cumprir-me, cumpro o plano dos outros, ajudo os outros a ser. Cumprir-me é ser o que Deus criou em mim, é multiplicá-lo. É co-criar, é inscrever a minha biografia na biografia de Deus.

Raquel Alves
01.02.2010

23   O CÂNTICO DOS CÂNTICOS
Fernando Ribeiro 01.01.2010

22   A ABUNDÂNCIA DOS LIMITES DA VIDA, COM PROF. DANIEL SERRÃO
João Delicado 01.12.2009

21   TONY PICCOLO: NO CAMINHO DO BEM
Rita Canário e Rita Lima 01.11.2009

19   UMA VIDA AO SERVIÇO DO BEM COMUM - Mª ROSÁRIO CARNEIRO
Joana Rigato 01.09.2009

18   ENTREVISTA A JOÃO MARIA MOURA
Fernando Ribeiro 01.08.2009

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última actualização: 01.09.2010

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