Título: O Grande Gatsby Autor: F. Scott Fitzgerald Edição: Agosto 2011 Páginas: 224 Editora: 11 x 17 ISBN: 978 972 252 3417
Quem é afinal o Grande Gatsby? Quem é este senhor tão discreto e com gosto desmedido por pretensiosas festas? Quem é este Gatsby que não se resigna? Que tolera tudo passando desapercebido na sua imensidão, no mistério que esconde a sua vida? Quem é este Gatsby a quem todos desconhecem o passado e os negócios, atribuindo a sua riqueza aos negócios escuros mas tão enriquecedores que se faziam durante a Primeira Grande Guerra? O que move Gatsby a abrir a sua enorme casa, com uma vista tão peculiar e uma abertura tão específica para a outra margem, a tantos desconhecidos? E o que o faz querer investir na relação de amizade com o seu novo vizinho, alguém tão discreto e distante dos seus comuns convidados? Quem são, afinal, todas aquelas pessoas que surgem nas ostentosas festas semanais, muitas delas desconhecendo o anfitrião e, mesmo conhecendo, maldizendo a sua pessoa, continuando a frequentar a casa, envoltos num materialismo sem limites e numa falta de moral com um nível incomensurável de inconformismo com a opulência? O objectivo desmedido de Gatsby corre em paralelo com o da população. Para todos, o American Dream. Para Gatsby o reencontro com aquela que é a justificação da sua aparentemente perpétua existência. Gatsby é o apaixonado eterno cujas idiossincrasias o levam a viver rodeado de tanta gente e gente nenhuma. O grande Gatsby está isolado na multidão e preso a um passado pueril que o impede de avançar. O grande Gatsby da casa cheia está sozinho na sua morte. Estamos sozinhos por opção. Às vezes, pode implicar o desconforto de ser o único a defender um ponto de vista. Um outro lado, o confortável. Se ser persistente nos objectivos nos leva a ficarmos sozinhos no meio da multidão que não nos beneficia, então provavelmente aquilo que estipulamos não nos levará a bom porto. São dois factores a considerar: um mau caminho e/ou um mau fim. Pode ser simultaneamente fácil e tentador deixarmo-nos corromper pela grandiosidade, pela falta de moral, pelo exagero, quando nele julgamos ver a concretização do nosso objectivo. Talvez deva passar, então, pela ponderação da recta intenção dos pequenos passos que nos levarão ao essencial. |