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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Por todo o lado já cheira a férias. A promessa de um tempo nosso, por nossa conta, invade-nos. Não esperamos só pelo merecido descanso, mas principalmente pelo sabor do tempo livre de tudo o que os dias normalmente nos impõem. Depois de um ano a correr atrás do que misteriosamente “há para fazer”, podemos finalmente decidir o que queremos fazer. Finalmente, somos chamados a conduzir totalmente o curso dos nossos dias. As horas voltam a pertencer-nos durante umas semanas. A vida regressa às nossas mãos e pede que façamos alguma coisa com ela.

Este, no entanto, não é um texto sobre as férias. Mas sobre uma verdade, aparentemente óbvia, que elas nos revelam: as nossas vidas são nossas. Os dias, todos, sem excepção, estão nas nossas mãos e teremos de dar contas do que fizermos deles. Tal como nas férias, o tempo está livre. Tal como nas férias, temos de fazer alguma coisa dele. Temos como tarefa tratar das nossas férias gigantes.

Dizer que o tempo (sim, todo o tempo da nossa estadia por cá) é tempo livre não é um desvario de um jovem universitário. É dizer que somos totalmente responsáveis pela forma como o ocupamos. Só se compreendermos isto é que poderemos lutar contra a corrente fortíssima e invisível que puxa os nossos dias para onde ela bem entende.

E que corrente é essa? É aquela força que nos leva meio embevecidos e sonolentos para onde não queremos. É aquela coisa esquisita que se encarrega de viver a vida por nós e que cala a pergunta “Vale a pena perder tempo a fazer isto?”. Ora, só se percebermos que temos uma palavra a dizer acerca do que vale ou não a pena fazer com as nossas vidas é que podemos lutar contra esta sonolência em que nos encontramos.

Mas o leitor pensa que não está também a ser levado na corrente? Então peço-lhe que leia o primeiro parágrafo deste texto outra vez. É isso que sente quando pensa nas férias? Um alívio de chegada às semanas em que pode finalmente fazer o que quer? Eis então o problema: porque sentimos que é só nas férias que os dias nos pertencem? Quem é que escolheu por nós o que fazemos no resto do ano? Se fomos nós, porque é que há diferença?

É o Senhor quem nos pede que façamos nossas as vidas que Ele nos ofereceu. É ele que nos deixa estes dias para que os façamos render. Mais não pede, apenas isso. Uma vez nossos, Ele pede-nos que os vivamos por amor, com amor e no amor. É isso que queremos fazer das nossas férias gigantes?

Vasco Cordovil Cardoso
15.06.2012







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