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Devíamos considerar mais vezes o exemplo das plantas. Aconteça o que acontecer durante o Inverno, haja muita ou pouca chuva, seja a terra fértil ou não, chegamos à Primavera e presenteiam-nos com esta maravilha – flores de mil cores, folhas tenras e verdes a rebentar, uma explosão de vida que desabrocha e pretende pôr um ponto final no que passou – numa palavra: recomeço.

 

Neste ano, particularmente, em que temos dificuldade em contar quantas pingas de chuva caíram no país, qualquer planta teria toda a legitimidade para se recusar a renascer ou a florir. Mas não, e felizmente. Souberam adaptar-se, aceitar o clima que existia e, com o que havia, fazer o melhor.

Passando das flores para as pessoas - temos muito mais dificuldade em florir… ou porque as condições envolventes não são ideais, ou porque nós próprios não nos sentimos com força para as combater e contrariar. E “ir andando”, mais ou menos anestesiados e contentados com o que já existe, é muitas vezes o mais fácil.

De vez em quando, para provocar os mais acomodados, há quem contrarie a tendência, quem insista em se re-inventar mesmo quando a sorte é adversa. Gente que recupera talentos que estavam adormecidos, que criativamente utiliza o que já tem para novos fins, que descobre oportunidades onde parecia não existir nada. Certamente todos conhecemos vários exemplos, e os tempos “de seca” que atravessamos a todos os níveis, são propícios à emergência desses casos.

Mas será só isso? Casos pontuais que respondem à adversidade com mais imaginação do que os demais que continuam na estagnação? Ou não será mesmo a altura de alguma mudança mais radical acontecer? Não será o tempo, de se pôr em causa estilos de vida, concepções de bem-estar e de felicidade, que podem ter funcionado, mas que já não são as de hoje? Tempo de despir a sociedade de uma série de bijuteria e maquilhagem que os últimos anos foram transformando em necessidades, para voltarmos a perceber o que é o essencial?

E deixar que o abalar dos pressupostos exteriores abale também os interiores.

Posto isto, e voltando às flores, porque não usar a inspiração da Primavera para fazer a experiência de se re-inventar ou, se preferirem, de Ressuscitar?


Teresa Souto Moura
15.04.2012







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