Titulo: O Retrato de Dorian Gray Autor: Oscar Wilde Editora: 11x17 Editora Edição: 2010 Págs: 288 ISBN: 9789722520812 Considerada a obra prima de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray prende-nos à sua história com a subtileza da narração. A história é passada nos finais do século XIX, na cidade de Londres a viver um movimento hedonista e decadente, que tanto oferecia programas culturais faustosos como experiências de limite humano, como os célebres bares de ópio, uns e outros frequentados por aristocratas focados na estética e desejosos de prolongar uma vida de juventude e prazer. Dorian começa a frequentar estes meios e, quando lhe propõem que pose para um famoso pintor da época, o protagonista acaba, a custo, por ceder e, de certa forma, por hipotecar o resto da sua vida. Gray deixou-se encantar por aquilo que ele próprio é, que aprendeu a ser, e o seu egocentrismo passou a dominá-lo e a fazer a gestão da sua vida. Parou de envelhecer mas, simultaneamente, de crescer. E tanto o seu envelhecimento como os traços da falta de amadurecimento foram transpostos para o seu retrato, que os vivia e os acolhia, sem qualquer cuidado de preservação. Esta novela de Oscar Wilde apresenta de forma crua e imediata – própria do tempo em que a história se desenrola – um estilo de sociedade e de critérios que, de alguma forma, se podem encontrar na civilização ocidental actual, embora de forma mais subtil. Possivelmente nenhum de nós “venderia a alma” pelo elixir da eterna juventude. Possivelmente nenhum de nós maltrataria o seu noivo até ao ponto de este se suicidar de desgosto. No entanto, todos estamos sujeitos a algumas influências que nos fazem redireccionar os nossos interesses. E, no nosso tempo, muitas influências promovem um estilo de vida onde se valoriza o que se vê mais do que o que se é. Também estamos habituados a ter “alguém” – Deus? – que nos ampara os golpes, que fica triste por nós e que sente as coisas que fazemos com pouca justiça. Se o nosso retrato é o que nós temos de melhor, à sua imagem e semelhança, não deveríamos preservá-lo? Agir em conformidade com a sua verdadeira beleza? Com a promessa de perfeição que esta constitui para cada um de nós? |