|  |
 |
|
|
Como é que eu reagiria se fosse a uma celebração litúrgica numa igreja e de repente desse por mim rodeado de santos? Ou melhor, se reparasse que as pessoas que estão ao meu lado são exactamente iguais às representações dos santos que estão nas paredes da igreja? Parece impossível que isto suceda, mas uma experiência destas pode eventualmente ocorrer para esta geração, na catedral de Los Angeles. A catedral de Los Angeles de 2002 é palco de uma colecção das mais notáveis peças de tapeçarias, que parecem frescos. Ali podemos encontrar uma harmoniosa conjugação entre um desenho contemporâneo - em consonância com a catedral - e uma das mais tradicionais formas de arte. O artista é John Nava, cuja expressão artística tem o foco principal na expressão da figura humana. Existem três grandes conjuntos de tapeçarias: a comunhão dos Santos, o Baptismo de Jesus e a Jerusalém Celeste, sobre o altar-mor. Cada um destes dois últimos conjuntos poderia perfeitamente ocupar um lugar no nosso “museu essejota”, mas neste número vamos debruçar-nos sobre a comunhão dos santos, ou melhor deixar que essa peça se incline sobre nós. Este conjunto de 25 tapeçarias onde podemos encontrar representados 135 santos de todos os tempos e de todos os lugares, acompanha as duas paredes laterais. Os santos olham todos em direcção ao altar e à Jerusalém celeste. Todos os santos são reconhecidos por algum elemento simbólico mas sobretudo pela inscrição dos nomes junto à figura. Neste conjunto de santos existem doze figuras que não têm inscrições para recordar santos que não tenham sido canonizados. O admirável destas figuras é o rosto e a expressão dos santos tão parecidos aos rostos de pessoas que encontramos na rua. De facto John Nava inspirou-se, não só na história de cada santo - para tentar “adivinhar” a fisionomia - como em pessoas do dia-a-dia que ia encontrando na rua e que o fizessem lembrar os santos. Algumas até foram abordadas por ele com um interessante desafio: “Quer ser modelo para um santo?”. Imaginemos alguém que tenha aceite ser modelo para Santa Teresa de Ávila, por exemplo. E imaginemos que podemos estar sentado ao lado dela numa missa, exactamente sob a tapeçaria de Santa Teresa. Mas o que me faz propor esta peça à observação no nosso “museu essejota” é o desafio espiritual que nos pode trazer a contemplação destas figuras, tão humanas e tão santas. Mas a grande provocação é a inversão da ordem dos factores, ou seja, estamos acostumados a escutar que os santos são modelos de vida para nós. Mas, pelos vistos, também nós podemos ser modelos para os santos!
(Mais informação e imagens das tapeçarias de John Nava em: http://www.olacathedral.org) |
|
Gonçalo Castro Fonseca, sj
01.08.2012
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| Comentários |
|
|
|
|
Nenhum comentário encontrado. |
|
|
|
|
 | |