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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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O Espírito Santo na Revelação e na Igreja,
de Dumitru Staniloae







Há inúmeras fronteiras a picotar o mundo. Umas são geográficas, outras culturais; umas vêem-se, outras pressentem-se. Por vezes, a paisagem basta-nos para nos indicar que estamos em terra estrangeira. Há textos que são, para nós, paisagens transfronteiriças: terminado o primeiro parágrafo, sentimos de imediato que chegámos a um novo universo de pensamento, com uma forma própria de olhar a realidade. E eis-nos perante duas alternativas: (a) ou rejeitamos esse mundo com aquele discurso típico "o meu bairro é que é bom"; (b) ou assumimos o trabalho da novidade que esse encontro desperta.

Um texto de teologia ortodoxa é, claramente, um "mundo novo". Se, para a nossa sensibilidade, o rigor científico é sinónimo de fronteiras bem delineadas (de um lado o "corpo", do outro a "alma"; de um lado o "trabalho", do outro o "lazer"; uma coisa são os "factos", outra são as "interpretações" - por exemplo), para a sensibilidade oriental, um discurso rigoroso é o que respeita a realidade: e a realidade é integral. Do ponto de vista "técnico", é eficaz a "distinção dos conceitos"; do ponto de vista existencial, só tanto-quanto. Na nossa vida, de pouco adianta a separação da realidade em gavetas (a gaveta das convicções políticas; a gaveta das fantasias sexuais; a gaveta dos padrões de comportamento; a gaveta dos desejos e frustrações; a gaveta da reflexão intelectual; a gaveta da fé). A organização do nosso mundo interior não corresponde a um armário disposto de A a Z, mas a um corpo vivo; um corpo de fluidos e transcendência, de pele e palavra. Na verdade, por mais que o catálogo da realidade nos ajude a ver o mundo, convém nunca esquecer que esse conhecimento de pouco vale se nos convertermos em dicionários. Porque se "conhecer o mundo" for sinónimo de "ser uma enciclopédia", que triste sorte teremos se nos abrirem tantas vezes quanto abertos são tais livros, jazentes em estantes de bibliotecas... Todos sentimos, em nós e no mundo, como as fronteiras, embora úteis "administrativamente", são postiças. A economia e a política não são irmãs? A justiça, a educação, a segurança: não estão sentadas lado a lado, na mesma mesa?

Também nós, na fé, corremos o risco de "emprateleirar" a realidade. Aliás, o estudo que temos feito do Credo, seguindo o esquema clássico "estudo do Pai", "estudo do Filho", "estudo do Espírito Santo", poderia, perfeitamente, induzir essa visão "parcelar" da fé em Deus. Contrariando essa tendência, hoje oferecemos um texto, escrito por um reconhecido teólogo ortodoxo, Dumitru Staniloae, que reflecte uma visão global sobre a relação entre Deus e a humanidade, partindo da Pessoa do Espírito Santo.
 
Diz-nos Olivier Clement sobre o autor do texto: «Dumitru Staniloae (1903-1993) nasceu a 16 de Novembro de 1903 na região de Brasov. Fez os seus estudos no Instituto de Teologia Ortodoxa de Cernauti e, seguidamente, na Faculdade de Teologia de Atenas. Professor nos Institutos de teologia de Sibiu e de Bucareste, foi ordenado sacerdote em 1932.

Sob o regime comunista, foi preso e encarcerado durante vários meses. Uma vez liberto, só será readmitido no Instituo de Teologia de Bucareste em 1964. Foi autor de uma teológica impressionante, na qual se esforçou por oferecer uma visão universal da ortodoxia, no desejo de superar os provincianismos que por vezes a afectam, restaurando a plenitude da autêntica Tradição ortodoxa. Foram muitos os que, na Roménia, Grécia e mesmo no Ocidente, o consideraram um dos maiores especialistas da teologia dogmática do nosso século».

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Rui Fernandes sj
01.07.2012







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última actualização: 15.05.2013

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