Somos bichos curiosos. Na última cena de um dos grandes filmes dos últimos tempos (Piratas das Caraíbas 3) o Capitão Jack Sparrow está – outra vez – sem navio e resta-lhe pouco mais na vida do que um velho batel salva-vidas e uma bússola. A bússola, contudo, não é uma bússola qualquer: aponta não o Norte, mas aquilo que a pessoa que a segura mais quer na vida. E Jack Sparrow está decidido: deixou a rapariga, deixou o navio, o que ele quer é a Fonte da Juventude. O que ele quer é o infinito, a eternidade. E contudo, a bússola teima em apontar para alguma coisa dentro do barco. Uma garrafa de rum. Morta a sede, aí sim, a bússola aponta para o horizonte e Jack Sparrow põe-se a caminho. E o filme acaba. Bichos estranhos que têm sede de rum e de infinito podia não só ser uma descrição bastante exacta do género humano, como uma legenda concreta aos Alabama Shakes, parece-me.
Músicas com raparigas contentes de terem encontrado o seu príncipe é o que mais existe por aí, e não há assim tantas que valha a pena ouvir com atenção. Mas a força com que esta rapariga agradece esta sorte merece tudo. Merece palmas. “I found you” não é só uma espécie de balada, nem a voz de Brittany Howard é só uma espécie de soul. Dizer que são “retro” é não ver a guitarra em punho. Mas a mistura perfeita de rum e infinito não está apenas da dificuldade em escolher uma etiqueta para esta banda, ou para esta canção. Está no seu esqueleto: se o pé – ou a cabeça! – abana facilmente com a bateria, durante os três minutos e qualquer coisa que a música dura, há que deixar o coração abanar também com a consciência de que há apostas em que vale a pena entrar com tudo, para sempre.